Cuidado da dor

Entender a dor antes de escolher a técnica.

O atendimento considera não apenas onde dói, mas como o problema começou, o que agrava, quais tratamentos já foram tentados e como sua vida foi afetada.

Agendar avaliação

Mecanismos da dor

Nem toda dor acontece pelo mesmo mecanismo

A dor pode envolver três mecanismos principais. Eles podem aparecer isoladamente ou coexistir na mesma pessoa.

Dor nociceptiva - quando o corpo identifica uma agressão

A dor nociceptiva acontece quando estruturas do corpo, como músculos, tendões, articulações, pele ou órgãos, sofrem ou estão sobre ameaça de sofrer algum dano.

Nessas situações, receptores especializados chamados nociceptores detectam estímulos potencialmente prejudiciais, como trauma, inflamação, pressão ou calor excessivo, e enviam sinais ao sistema nervoso.

Pode ocorrer, por exemplo, após traumas, processos inflamatórios, sobrecarga muscular, lesões articulares ou procedimentos cirúrgicos.

Como ela pode ser percebida?

Pode ser descrita como dor localizada, dolorimento, pressão, peso, pontada ou dor que piora ao movimentar ou pressionar determinada região. A forma como ela é sentida, entretanto, varia de pessoa a pessoa.
Por exemplo:

  • Entorse de tornozelo: a lesão dos tecidos pode provocar inflamação, inchaço e dor.
  • Tendinite: a região do tendão afetado pode apresentar dor relacionada ao processo musculoesquelético.
  • Osteoartrite: alterações articulares podem produzir estímulos nociceptivos e contribuir para a dor.

A intensidade da dor nem sempre corresponde diretamente à extensão da lesão tecidual.

Dor neuropática - quando existe lesão ou doença do sistema nervoso

A dor neuropática ocorre quando existe uma lesão ou doença que afeta o sistema somatossensorial, responsável por receber e processar informações como tato, temperatura e dor.

Nesse caso, o problema não está apenas nos tecidos onde a pessoa sente a dor: o próprio sistema nervoso está envolvido na origem dos sintomas.
Como ela pode ser percebida?

Pode ser descrita como queimação, choque, formigamento, dormência, pontadas ou dor provocada por um toque que normalmente não seria doloroso.

Também pode ocorrer alodinia, quando um estímulo que normalmente não deveria provocar dor - como o contato da roupa ou um toque leve - torna-se doloroso.

Esses sintomas ajudam na investigação, mas não são suficientes, isoladamente, para diagnosticar uma dor como neuropática. É necessária avaliação clínica adequada.
Por exemplo:

  • Neuropatia diabética: o diabetes pode provocar lesões nos nervos periféricos, principalmente dos pés e pernas.
  • Neuropatia pós-herpética: após um episódio de herpes-zóster, algumas pessoas permanecem com dor na região afetada.
  • Radiculopatia por compressão de uma raiz nervosa: alterações da coluna podem comprometer uma raiz nervosa e provocar dor que se distribui pelo seu trajeto.

Atenção! A presença desses sintomas não confirma isoladamente uma neuropatia. É necessária avaliação profissional.

Dor nociplástica - quando o processamento da dor está alterado

A dor nociplástica é provavelmente a menos conhecida pelo público.

Ela ocorre quando existe uma alteração da nocicepção, sem que a dor possa ser totalmente explicada por uma lesão ou ameaça clara aos tecidos e sem evidências suficientes de uma lesão ou doença do sistema somatossensorial que explique o quadro como dor neuropática.

Uma maneira simples de compreender e pensar no sistema de proteção do organismo como um alarme.

Na dor nociceptiva, existe algo acionando esse alarme, como uma lesão ou inflamação.

Na dor neuropática, existe uma alteração ou lesão envolvendo o próprio sistema nervoso.

Na dor nociplástica, a maneira como o organismo processa e modula os sinais relacionados à dor está alterada, podendo ocorrer maior sensibilidade e uma resposta dolorosa desproporcional aos estímulos identificáveis.

Em condições normais, o alarme dispara quando há uma ameaça real, como uma lesão ou inflamação. No entanto, em algumas situações, o alarme pode disparar mesmo na ausência de uma ameaça clara, resultando em dor persistente e desconforto.

Isso não significa que a dor é imaginária ou "psicológica". A dor nociplástica é real e pode ter um impacto significativo na qualidade de vida, mesmo quando não há uma causa física evidente. A própria definição internacional de dor reconhece que a dor é uma experiência sensorial e emocional, e que fatores psicológicos podem influenciar a percepção da dor.

Pode estar associada à hipersensibilidade, dor em várias regiões, fadiga, sono não reparador e maior sensibilidade a estímulos.
Por exemplo:

  • Fibromialgia: dor generalizada, fadiga e distúrbios do sono. É um dos exemplos mais frequentemente associados à dor nociplástica e à hipersensibilidade dolorosa.
  • Dor lombar crônica: em determinados pacientes, a persistência da dor não é completamente explicada por alterações estruturais e pode apresentar componente nociplástico.
  • Dor cervical crônica: alguns quadros persistentes também podem apresentar características compatíveis com mecanismos nociplásticos.

O sistema responsável por perceber, regular e responder aos sinais relacionados à dor pode tornar-se mais sensível, fazendo com que a experiência dolorosa persista mesmo quando uma lesão tecidual não explica completamente sua intensidade ou duração.

Uma mesma pessoa pode apresentar mais de um tipo de dor

Uma mesma pessoa pode apresentar mecanismos nociceptivos, neuropáticos e nociplásticos simultaneamente. Essa classificação não substitui o diagnóstico clínico.

A dor nem sempre cabe perfeitamente dentro de uma única categoria. Uma pessoa com dor lombar, por exemplo, pode apresentar simultaneamente componentes nociceptivos, neuropáticos e nociplásticos. Além disso, o mecanismo predominante pode mudar ao longo do tempo.

Por isso, tratar apenas o local onde dói pode não ser suficiente.

A pergunta não deve ser somente “onde dói?”, mas também “qual mecanismo pode estar mantendo essa dor?”

Uma avaliação individualizada permite compreender melhor as características da dor, seu impacto na rotina, fatores que pioram ou aliviam os sintomas e quais estratégias terapêuticas podem ser mais adequadas para cada pessoa.

Dor é um sintoma complexo. Compreender seu mecanismo é um dos primeiros passos para construir um tratamento mais individualizado, seguro e baseado em evidências.

O que é avaliado

  • Características, duração e intensidade da dor
  • Impacto no sono, movimento, trabalho e lazer
  • Condições clínicas e medicamentos em uso
  • Sinais de alerta e necessidade de encaminhamento
  • Objetivos funcionais definidos com você

Depois da avaliação

Quando houver indicação, o plano pode incluir orientação, fotobiomodulação, auriculoterapia ou combinação responsável de recursos. A evolução é reavaliada, sem compromisso com pacote automático.

WA